segunda-feira, 26 de março de 2007

DIÁRIO DA TETECA - O Início


Para localizar as coisas e não ficar tudo muito confuso, acho que é importante vocês saberem quem somos.
Meu nome é Teteca. Era Bisteca, numa clara ironia ao meu estado quando me adotaram. Eu era osso puro, não tinha um naquinho de carne a mais. Daí, Bisteca. Teca, Teteca, Te, Tezinha, Pepeca, Peca,Pe, Pezinha, Vaquinha malhada. Atendo a todos estes nomes numa boa. Afinal, todo chamado vem acompanhado de um sorriso, um carinho, um lanchinho...
Calculam que eu tenha uns 8 anos. Uma senhora, portanto. Sou carinhosa, carente, tenho um apetite descontrolado, que me faz fazer as maiores barbaridades para ganhar um pouquinho do que tem na mesa mais alta. Eu não me controlo, e por isso dizem que sou meio neurótica. Tenho medo de trovão, meu coração quase sai pela boca.
Em dias de chuva barulhentos, ninguém me nega uma beiradinha na cama. E todo mundo, absolutamente todo mundo, mesmo quem não é lá muito chegado em cães me adora, me acha uma fofura. É um talento natural.
Em termos físicos, sou preta e branca, uma mistura de fox avantajada, uns 10 ou 11Kg de gostosura. Quando cheguei , pesava 4 kg. Não gosto desta época.
Bom, o fato é que tudo começou comigo, eu fui a primeira de muitos que passaram lá por casa. Alguns ficaram, outros foram adotados e alguns não conseguiram vencer os estragos que vida de abandono já tinha feito e foram para o céu aquecidos, alimentados, acarinhados e com dignidade.


Vou contar para vocês a nossa estória. Não só a diferença que um ser humano pode fazer na vida de um animal, mas a diferença que um animal pode fazer na vida de um ser humano.

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