segunda-feira, 26 de março de 2007

Teteca, a chegada



Quero começar pelo meu nome, pra você entender quem eu sou e porque sou.


Me chamam de Teteca, Teca, Tequinha, Pepeca, Pê, Pezinha e Vaquinha malhada...e eu atendo, vê se pode! O Teteca veio de BISTECA, o que obviamente era uma ironia, porque quando eu cheguei, eu pesava pouco mais de 4 Kg,sou tipo uma fox grande, era seca, seca de dar dó. Tinha uma corda de varal amarrada no pescoço, escoriações e marcas pelo corpo, uma hemorragia uterina intensa , fungos e uma fome que me corroía por dentro.


O quadro era o seguinte: meus pais, o Márcio e a Márcia (que se conheceram na internet, olha só! Mas isso é estória pra outro blog) eram namorados na época. Ela morava com a mãe dela, minha avó coruja Luci, em Porto Alegre, e ele morava em São Leopoldo. Ambos em apartamento. O sítio onde moramos hoje era só para finais de semana, e andava abandonado. Quando começaram a namorar, começaram a vir mais para o sítio, pois minha mãe adorava ervas medicinais, meu pai fez uma hortinha, deu pra ela e assim foi indo. Todo final de semana trabalhavam um pouquinho aqui.
Eis que num destes finais de semana, eles foram para cidade comprar uma coisas e voltaram 'a noite. A luz dos faróis refletiu nos meus olhinhos, e ao contrário do que costumam fazer os cachorros que vivem no mato, eu não me escondi. Fiquei tremendo, olhando para eles, sem saber se receberia um carinho ou um pontapé. Quando ele estendeu a mão e me fez um carinho, eu virei de barriga para cima, feliz da vida. Aí, ela foi para dentro e me preparou um pratinho de comida e uma caminha. Eu pensei que tinha morrido e ido pro céu!


Na primeira noite, sexta-feira, dia 17 de outubro de 1999, eu dormi lá fora, numa caminha arrumada dentro de um armário. No segundo dia, ganhei um banho de quase uma hora, tanta sujeira eu tinha. E comi, comi, comi....aí dormi, já dentro de casa, um sono tão pesado que o Márcio pensou que eu havia morrido, pois ele me sacudiu e não saí daquele transe. Era exaustão, felicidade, o choque de nunca ter tido tudo isso: cama, banho, carinho, comida. Eu ficava lá, de olhos fechados, com medo de abri-los e ver que tudo era sonho; ficava ouvindo as vozes deles e sentindo um calorzinho bom no coração...tinha alguém que se importava comigo! Isso era tudo, para alguém que não tinha nada.
Bom, eles conversavam, e a questão era: como ficar comigo? Afinal, eles moravam em apartamento, longe um do outro, trabalhavam e tal...O domingo chegou, e com ele, a hora de ir embora. E agora???


Bom, sei que eu fui junto pra Porto alegre, andei de carro como se tivesse feito isso a vida toda, mas enjoei bastante, pois tinha passado o final de semana comendo, comendo e comendo. Todo mundo me achava tão sequinha e eu ficava com meu olhar pedinchão, ninguém me negava nada. E foi assim que cheguei ao Vaquinha Malhada...


Segunda feira fui levada ao veterinário e eu tinha um monte de complicações. Fui castrada por causa da hemorragia, tinha a doença do carrapato, úlcera nervosa...Fiquei uns seis meses em tratamento até estabilizar. E aí, quando eu estava pronta para ser doada, eles não quiseram mais me doar, porque eu sou muito fofa, querida e os amo de montão, e meus olhos mostram isso.

E eles me aceitam como eu sou, com os meus medos e neuroses (tenho pânico de trovão, nestes dias não tem jeito, eu durmo junto mesmo!), gulosa demais - eu passei muita fome gente- e segundo minha mãe, fresca pra dedéu.

Se tem roseta na grama, ergo a patinha e fico esperando alguém me tirar dali no colo.Então,naquela época, eu ficava 15 dias na minha avó com a minha mãe e 15 dias com o meu pai. Aí eles casaram e fomos morar todos juntos. E foi aí que tudo começou. A bicharada começou a chegar, um a um, alguns foram ficando, outros foram adotados por outras famílias.


Tenho crises e fico brava cada vez que chega um habitante novo na casa -hoje somos 15 peludos - mas tudo logo passa e eu aceito, pois não deixo de receber meus carinhos, tenho a minha caminha no quarto dos meus pais, posso me esconder no banheiro nos dias de chuva e ganho a minha comidinha. Não ganho tanto pão e bolachas quanto gostaria, e volta e meia me fazem fazer dieta, pois a veterinária passa um pito porque estou uns quilinhos acima do ideal, mas enfim...nada é perfeito no mundo não é?
Acho importante dizer que algumas pessoas especiais colaboram com o meu pai e a minha mãe, Márcio e Márcia, pois senão eles não poderiam recolher e tratar tantos bichinhos como fizeram nestes ultimos anos: o pessoal da Bicho de Rua e da Duas Mãos Quatro Patas, que nos consegue as castrações a um custo mais acessível e à super veterinária Adriana, de Taquara, que sempre nos recebe com carinho e cuidado, mesmo quando um de nós chega das ruas sarnento e com fungos, facilitando quando temos de ser vacinados em bando, como foi o caso da ultima ninhada, os bebês da Princesa, que mais adiante conto pra vocês. Ao pessoal da APATA de Taquara, que por 2 vezes também nos ajudou, e foi através deles que conhecemos a Adriana.


E tem a Marlise, uma pessoa maravilhosa, veterinária de mão cheia, que também resgata bichinhos e por isso entende bem o esquema aqui de casa e dá uma força muito grande .
E não dá para esquecer da vó Luci, que resmunga e resmunga cada vez que um de nós chega, mas no Natal tem até latinhas de ração embrulhadas pra presente no pinheirinho para nós!!! 'As vezes ela paga a tosa de um, a castração de outro, dá uma caminha de presente... e quando chega uma gatinho muito bebê, ou como esta semana, que meus pais recolheram uma cachorrinha atropelada toda quebradinha, ela deixa ficar na casa dela para a galera lá de casa não perturbar.Ela é 10! Uma lambidona pra ti vó Luci!


Bem, quando cheguei na vó Luci, ela já tinha uma cachorrinha, a Piti. E ela não gostou muito de mim...ela é ciumenta e comilona, como eu. Mas o tempo passou e ela me aceitou, tanto que teve muita saudade quando o Márcio e a Márcia foram morar juntos e eu também.
A Piti é velhinha, já vai fazer 12 anos. Como é muuuuito gorda, 'as vezes vai passar umas temporadas com nós , pra passear e ver se emagrece um pouquinho. E tem o Puffy, que tem um ano e é yorkshire puro com pedigree e não sei mais o que...grande coisa. Ele tem seborréia, e eu, que sou pura srd, não tenho! Mas ele é muito fofo e querido, e sei que não tomou meu lugar no coração da vovó. Aliás, que saudade de morar lá...quando eu ganhava pastel e batatas fritas comprados especialmente pra nós por ela, sob os protestos da minha mãe, comer escondido de madrugada com a vovó... Essa aí é a Piti e depois o Puffy.

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